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O desenvolvimento da habilidade motora aquática em humanos foi abordado primeiramentepor Watson que introduziu os bebêsna água na posição em decúbito dorsal e verificou movimentos desordenados defendendo a tese de que a aquisição seria condicionada pelo ambiente, posteriormente McGraw introduziu bebês na posição de decúbito ventral, observando movimentos coordenados e bem definidos atribuindo essa aquisição à processos endógenos. Ainda hoje predomina a visão de que a habilidade de nadar é exclusivamente dependente do fator externo.

 

O desenvolvimento motor se caracteriza-se por mudanças contínuas, ao longo da vida, em três classes gerais do comportamento: orientação ou controle postural, locomoção e manipulação. Iniciando-se com os chamados movimentos fetais, após o nascimento movimentos espontâneos e reativos até 12 meses, dos 2 ao 7 anos movimentos rudimentares e fundamentais, seguido dos movimentos especializados.

Há duas explicações concorrentes para esses processos, a tradicional que seria a maturação biológica do organismo e a outra que sustenta que o desenvolvimento resulta da ação de múltiplos elementos nos níveis celular, orgânico e cultural, chamada desenvolvimentista.

A primeira caracterização da sequência de desenvolvimento aquático foi realizada por Myrtle McGraw (1939) constatando que, ao nascer, os bebês podem apresentar movimentos coordenados de braços e pernas para se deslocar na água em decúbito ventral, denominados de “reflexo de nadar”(até 4 meses), “movimentos desorganizados” (do 40 ao 120 meses), “movimentos voluntários” (12 meses em diante).

McGraw considerou 3 elementos de comportamento de locomoção aquática: movimentos de braços e pernas, controle postural e controle respiratório  que nos primeiros meses de vida é muito eficiente, pois os bebês podiam ficar longos períodos submersos sem ingerir água que não era observado na fase de movimentos desorganizados , esse controle respiratório ressurgia como um comportamento voluntário na terceira fase de desenvolvimento aquático.

Em seu estudo Xavier Filho, verificou que o requisito “mudar de direção durante o deslocamento no meio liquido” foi o fator que mais contribuiu para alterações nos níveis de desenvolvimento do nadar. Em outro estudo feito por Oka et al. constatou que ação da pernada passa do “pedalar” utilizado por crianças de até 30 meses, para um padrão maduro de pernada, utilizado predominantemente por crianças aos 72 meses.

Reid e Bruya (1984) descreveram o processo de entrada na água em que os saltos e entradas voluntárias de cabeça só apareceriam posteriormente, com o domínio do ambiente aquático. Os principais achados acerca do desenvolvimento do nadar foram apresentados recentemente por Langendorfer e Bruya (1995), onde sugerem que alterações motoras ocorridas nas ações dos braços, das pernas e posição do corpo seriam suficientes para definir estágios ou padrões de desenvolvimento motor aquático. Os estágios são caracterizados em:

  1. sem comportamento de locomoções;
  2. “cachorrinho”;
  3. nado humano inicial;
  4. crawl rudimentar;
  5. crawl avançado ou outra forma de deslocamento avançado.

Já o modelo de Freudenheim et al. (1999), é o único dentre os existentes na literatura a assumir que o nadar é o fruto de um desenvolvimento hierárquico que pode ser definido como:

  1. reflexo de nadar;
  2. controle postural voluntária;
  3. cachorrinho;
  4. nado humano elementar;
  5. crawl rudimentar;
  6. nados especializados;
  7. competência aquática.

Depois de ter falado de todos estes modelos, é notória a ausência de uma sustentação que facilite a mecânica do nado e auxilie na flutuação não se baseia em nenhum estudo sobre o controle postural humano no meio líquido. Em contrapartida as áreas de biomecânica e fisiologia do exercício têm exercido um papel importante no desenvolvimento da natação, principalmente em relação ao treinamento.

Bradley et al. propuseram um estudo com iniciantes com idade de 6 anos para avaliar o tempo necessário para a mudança de um estágio para outro, dentro do nado crawl, chegando a seguinte conclusão:

  • A taxa de melhora no desenvolvimento foi relativamente igual para os dois grupos;
  • O domínio da habilidade aumentava significativamente em ambos os grupos a partir da décima sessão;
  • Não houve diferença significativa entre ambos os sexos.

 Com base nos conhecimentos sobre o desenvolvimento motor aquático e acerca da análise da tarefa nadar, podem-se levantar duas implicações iniciais para a pedagogia da natação sendo elas o “desenvolvimento motor” que verifica se a habilidade de estabilidade postural atua como parâmetro de controle na organização da locomoção aquática e o “processo de ensino aprendizagem” que verificao efeito da manipulação das restrições orgânicas, da tarefa e do ambiente na aquisição do padrão de locomoção aquática em ambientes aquáticos.

A pedagogia da natação tem como propósito desenvolver os métodos mais eficientes para que os indivíduos adquiram as habilidade que constituem o domínio da natação. A revisão de conhecimentos sobre o desenvolvimento motor aquático permite levantar alguns pontos para uma reflexão acerca da pedagogia:

  • Nadar é uma habilidade motora presente desde o nascimento e que passa por mudanças em sua organização ao longo da primeira infância. O que ensinar na natação deve ser baseado nas fases de desenvolvimento.
  • O ensino deveria ser estimulado de forma a permitir um mínimo de liberdade para o aprendiz explorar padrões de movimentos mais adequados para um dado fim.
  • A habilidade nadar faz parte de um contexto mais amplo de possibilidades de realização de atividades no meio líquido.

Prof. Ernani Xavier Filho, Edson de Jesus Manoel.

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