menu portuguesmenu english

A imagem que a ciência fazia do cérebro adulto podia ser resumida assim, até poucos anos atrás: cachorro velho não aprende truque novo. Quem tem cão  em casa sabe que isso não é verdade. Pois saiba agora que seu cérebro produzirá neurônios de reposição, se você fizer exercício físico e mental.

 

O cérebro "reconstruído"A regra parece óbvia: mente sã em corpo são. Mas sua aplicação a cérebros formados só encontrou comprovação em experimentos recentes com camundongos.

A idéia tradicional de que um cérebro maduro só perdia células, sem repô-las, começou a ruir há duas décadas. Descobriu-se então que o hipocampo de ratos adultos (veja quadro) era capaz de produzir neurônios. Hoje se sabe que o mesmo ocorre em humanos.

"Sustentava-se tradicionalmente que o cérebro adulto não era capaz de auto-reparo: neurônios definitivamente diferenciados não podem mais se pidir", disse à Folha Fred Gage, do Instituto Salk (Califórnia, oeste dos EUA). Ele é o autor principal de um artigo na revista "Nature Neuroscience" que aponta o exercício como indutor da produção de células.

Os mecanismos que turbinam a fabricação de neurônios no hipocampo de ratos são o principal assunto da edição de março da revista. Um outro artigo aponta estímulo diferente para a dita neurogênese: aprendizado.

O trabalho reúne cientistas da Universidade Princeton (Nova Jersey, leste dos EUA), sob a chefia de Elizabeth Gould. O grupo decidiu testar se os milhares de neurônios criados dependiam de tarefas específicas do hipocampo.

Como essa região está ligada a aprendizado e memória, submeteram os ratinhos a quatro tarefas de aprendizado associativo, como piscar ao ouvir um barulho. Duas delas não poderiam ser realizadas sem o hipocampo. Descobriram que o número de neurônios criados e mantidos mais que dobrava quando essa região estava colaborando para o bicho aprender algo.

Além disso, diz Gould, "já se mostrou que o aprendizado aumenta o número de sinapses (conexões) no cérebro. Eu não recomendaria, porém, que pessoas de idade começassem a correr para produzir neurônios novos".

"Mais exercícios podem aumentar a neurogênese em pessoas idosas, (pois) mostramos que a neurogênese ocorre em camundongos mais velhos, e incrementar a capacidade de armazenamento da memória", contra-argumenta Fred Gage, do Salk.

Sua equipe obteve resultados similares aos de Gould somente com tarefas de atividade física, como correr dentro de uma roda. Por outro lado, parte do experimento californiano contraria resultados dos competidores da Costa Leste. Tarefas de aprendizado de navegação em labirinto não teriam afetado a neurogênese.

Mais importante, para humanos: Gage também encontrou correlação com um "ambiente enriquecido". No caso, oportunidades variadas de aprendizado, mais interação social e gaiolas maiores.

Os oponentes parecem concordar, porém, quanto ao potencial de suas pesquisas. Ambos acreditam estar contribuindo para elucidar mecanismos que podem levar à descoberta de meios para recuperar áreas afetadas por lesões.

"Com a evidência crescente de neurogênese pós-natal em vertebrados superiores, surge a possibilidade de que células-tronco neurais adultas sejam um mecanismo endógeno para reparos após lesões por derrame ou doença degenerativa, como Parkinson ou Alzheimer", aposta Gage.

"Esse processo regenerativo natural pode render pistas sobre o reparo de outras regiões danificadas do cérebro", concorda Gould.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo, 23/02/1999

CLUBE GINÁSTICO   |   RUA ALBITA, 97   |   CRUZEIRO   |   BELO HORIZONTE   |   MG   |    (31) 3342-1165

Academia Gota D’Água | Todos os direitos reservados | 2017 

por belisarioeguedes.com